“Caminhos iguais já não me servem mais. Desculpem-me as estradas de mão única, mas não me resumo apenas a mais um carro no meio da rodovia.
E em um caminho tão tumultuado, sobressaltou-se em meio a todos aqueles carros iguais e músicas monótonas, alguém que insistiu em chamar minha atenção. Não alguém comum. Não como esses que se destacam e depois não passam de mais um rostinho bonitinho avistado ao longo do dia. E, coincidentemente, aquele não foi mais um dia igual, com pessoas, iguais, carros iguais, e conversas iguais. Porque, diferentemente das outras pessoas, das outras músicas, dos outros carros na estrada, você não se resumiu a mais um carro que passa despercebido pela trajetória do amor. Mas estávamos ali, eu e você, não juntos, mas unidos. Com meu fone de ouvido, eu fugia de toda a decadência musical que assombrava aquele dia; e com os meus olhos colados nos teus, eu fugia de todas as imagens desnecessários, de todas as pessoas incompreensíveis, e de todos os problemas que me atormentavam. Porque mesmo não querendo, você era diferente, não dos outros, mas pra mim. Lembrei-me então de quantas vezes havia dito pra mim mesma: “Esse é diferente. Tem que ser”. Acontece que isso só ficava na teoria mesmo, porque na prática, ninguém, tecnicamente, era diferente; como o Pedro, que eu havia conhecido na praia, o Lucas, do aniversário da minha prima, o Fulano, o Cicrano, e uns ou outros que nem sequer consegui lembrar o nome. Mas ali era você, não eles. E porque, pelo menos uma vez, alguém não poderia ser diferente? E porque esse alguém não poderia ser você? Porque era tão difícil que eu pudesse dar a volta e ir atrás de você, com você? Porque eu tinha que ser só mais um carro na contra-mão, com minhas curvas tão erradas? “Que amor que nada, é puro drama”. Talvez fosse, talvez não. Mas naquele congestionamento de quilômetros, ninguém tinha cabeça pra pensar nisso, exceto eu. Porque, afinal, você também poderia olhar pra mim e pensar:”Olha, uma garotinha com fone de ouvidos”. ,E enquanto a vida passava, estacionei meu carro e fiquei te olhando viver, não como um carro qualquer na estrada, mas como um carro no qual eu jamais poderia entrar.”
“Eu senti falta, eu procurei, eu fui atrás, eu deixei meu orgulho de lado, mas você não deu valor. Eu cansei.”
“Eu quero que dê certo, não estraga, por favor. Não estraga, não estraga, não estraga.”